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Xuxa resgata saia de Carolina Herrera comprada há mais de 30 anos em Nova York
- 3 minutes read - 610 wordsPara Xuxa, a Carolina Herrera é mais que um nome na moda. É uma profissão que testemunhou nos anos em que ela modelou e depois apresentou. Agora, a reutilização do item não é apenas uma declaração pessoal de nostalgia; é uma afirmação intelectual de diálogo com a história. A mulher que comandou mais de duas décadas de “Dança dos Famosos” em Nova York e Miami, onde Carolina Herrera foi um dos destaques, agora está imersa em outro ciclo de carreira – sua pequena filha assume as rédeas do mesmo negócio.
Sasha Meneghel, neta de Carolina Herrera, estuda moda no Instituto de Tecnologia de Moda de Nova York. “Você vai perceber que as celebridades que estiveram na minha infância e adolescência estão aqui hoje”, observa Xuxa sobre o cenário da passarela com sua filha. O encontro entre a rainha do cinema e sua descendente na alta-costura marca um antes e um depois na narrativa pessoal, uma ponte entre épocas, estilos e mediações. A saia de 1990-1992 não era nova, mas nem por isso perdia a vitalidade simbólica.
Segundo Tamara Lorenzoni, a reutilização da peça serve como ícone indireto: “Quem foi o que Carol teve para oferecer além do poder da moda?”. Nesse contexto, a história da Carolina Herrera – que, de forma curiosa, se entrelaça com o legado de Xuxa – carrega um ressonância única. A designer-mãe, que sonha acordar e ver a filha saindo do palco onde hoje ensaia desfiles, comemora o retorno de sua apresentadora predileta, mas também projeta na filha um futuro na mesma área. “Não será necessário o ‘Vestido da Vingança’ para Carol fazer seu stand-up”, brinca o universo fashion.
Ao reutilizar sua própria peça, Xuxa não apenas salva a saia de um esquecimento. Ela transformou o objeto em metáfora. A mesma lona que a vestiu nos triunfos daquele tempo, hoje é capaz de vesti-la novamente, conectando sua identidade passada e presente. O mesmo acontece com Sasha: a estilista recria um look icônico para seu estreia na passarela, e a herdeira interpreta o mesmo vestido para seu casamento. A peça da década de 90 agora serve como base para a nova história – as duas vidas e carreiras de uma família que descobriu os mistérios do poder da imagem, tanto por dentro quanto por fora do palco.
Especificamente, Carolina Herrera – cujos 45 anos marcaram a estreia de Xuxa como “first lady” na TV brasileira – tornou-se, na última década, referência viva não apenas de elegância, mas também de experiência no que diz respeito à condução de shows de moda. Esse retorno da Xuxa ao legado da Carolina em Nova York não é acidental. É uma aposta no futuro e no passado, num paradoxo da memória viva. Aquele vestido da noiva não foi roubado; foi uma escolha intencionada para fechar um ciclo ou abrir outro. Na moda, nada morre. Mesmo o que foi comprado há décadas para a noiva do seu grande retorno, pode muito bem voltar a ser usado para uma nova estreia.
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